quinta-feira, 31 de março de 2011

Perguntei uma vez a um espantalho....

"Perguntei uma vez ao espantalho:
- Compreendo o lavrador que te fez, ele precisa de ti. E posso compreender também os pobres animais porque eles não têm inteligência suficiente para perceberem que és falso. Mas mesmo debaixo de chuva, ao sol, no pino do Verão, no Inverno gelado, continuas aí. Para quê?
- Tu desconheces a minha alegria - respondeu o espantalho. - Assustar os animais, diverte-me tanto que vale a pena suportar a chuva, o sol, o calor, o frio do Inverno, tudo. Assusto milhares de animais! Eu sei que sou falso, que dentro de mim não existe nada, mas não me importo. A minha alegria é assustar os outros."

Agora pergunto-lhe eu: gostaria de ser como este homem a fingir - sem nada lá dentro, a assustar os outros,  a torná-los infelizes, a humilhá-los, a impor-lhes respeito? Será que só vive para os outros? Nunca olha para o seu interior? Está aí alguém ou nem por isso? Está realmente interessado na busca para encontrar o mestre que habita dentro de si?

O mestre existe - talvez esteja a dormir, mas pode ser acordado. Quando ele estiver desperto, toda a sua vida ganhará novas cores, novos arco-íris, flores, música e danças. Pela primeira vez estará verdadeiramente vivo.

A porta que se abre sobre a realidade não é a da mente mas sim a do coração.

O maior problema que o homem moderno enfrenta é o facto de a mente estar demasiado desenvolvida, ao passo que o coração tem sido completamente negligenciado - não só negligenciado mas também condenado. Os sentimentos não são permitidos; pelo contrário, são reprimidos. O homem que demonstra os seus sentimentos é considerado fraco, infantil, imaturo. Um homem emocional não pertence a este tempo, é primitivo. Recaem sobre os sentimentos e sobre o coração tantas condenações que nos tornamos naturalmente receosos deles. Aprendemos a evitar os sentimentos e o coração vai lentamente sendo posto de lado. Vamos directos à cabeça. Lentamente , o coração vai sendo reduzido a um órgão que bombeia e purifica o sangue.


Pela primeira vez na história da Humanidade o coração foi reduzido a algo unicamente fisiológico - e não o é. Por detrás da fisiologia do coração, existe o coração verdadeiro que não faz parte do corpo físico e que, portanto, a ciência não pode conhecer.

Sobre esse coração teremos de aprender com os poetas, pintores, músicos e escultores...

OSHO